26 fevereiro 2011

Dexter


Algum contemporâneo meu e que desconheca a série já perguntaria: -"Dexter? O desenho?" Mas apesar do personagem principal também ser um nerd e ficar uma boa parte do tempo no laboratório a abordagem é um pouco diferente.

Dexter é um seriado baseado nos livros de Jeff Lindsay que conta a história de Dexter Morgan, um serial killer que trabalha no departamento de homicídios da Miami Metro Police como analista forense e que usa seu tempo livre e noites para caçar suas vítimas. Porém, esse processo é (ou deveria ser) guiado pelo "Código de Harry", uma série de regras criadas pelo seu pai adotivo para que ele não seja descoberto, preso ou acabe morto, o que transforma Dexter num assassino diferente (e que é aceito pelo público). Aproveitando seu trabalho dentro da polícia ele pesquisa casos de homicidas e esses se transformam em suas presas, ou seja, nosso protagonista só mata os caras maus e que não mereceriam estar vivos. Ele é quase um herói.

Eu estava sem acompanhar séries de TV há um bom tempo, as que assistia de vez em quando era The Big Bang Theory e alguns episódios aleatórios de Everybody Hates Cris na rede aberta. Até que um amigo me perguntou se eu gostava de assistir e me indicou Dexter afirmando que se quando começasse não conseguiria mais parar e eu, sempre cético, não acreditei muito mas prometi conferir para ver se era tudo isso mesmo e meses depois, junto com outros amigos, paramos para ver. Erro fatal.

Realmente, depois de assistir os dois primeiros episódios e ver que o nível da construção do personagem Dexter é tão bom que não da pra desligar. Sua apresentação, expressões, a maneira que age e pensamentos são no mínimo brilhantes. A sacada dos flashbacks em meio a outros acontecimentos contando detalhes da sua infância e adolescência, como e em que ele se transformou (foi transformado) é também muito boa, deixa você esperando ansiosamente quando virá o próximo. E como um bom seriado, as tramas secundárias também são muito boas, envolvendo a Miame Metro e investigações de outros crimes que de vez em quando se entrelaçam com a história principal.

Ficar pensando depois de terminar alguns episódios é algo frequente. Diálogos e pensamentos bem críticos a sociedade que temos hoje, em que somente a aparência, não apenas física, é importante. A sociedade das máscaras, onde todos têm algo a esconder. E Dexter pode dar aulas no assunto, é um verdadeiro mestre em fingir e esconder seu verdadeiro eu de todos.

Os outros personagens também têm seu valor dentro da série. Muito bem construídos e com diferentes histórias, é até possível criar afinidade com vários deles. Em destaque o Sargento Doakes, sempre com os dois pés atrás em relação ao Dexter; Rita, que mesmo parecendo ser chata e atrapalhar, deixa a trama mais complexa; Angel Batista, que não tem nada de especial, mas consegue ser um personagem bastante carismático (deve ser porque também é latino); Debra Morgan, irmã do Dexter, que a cada 5 palavras 7 são palavrões e que transa com quase todos os outros personagens; Masuka, o japonês pervertido, entre outros.

Porém comete uma falha clássica, o grande tropeço dos bons seriados, começar muito bem e depois não conseguir acompanhar o mesmo ritmo. É o que acontece da terceira temporada em diante. Apesar de ter alguns pontos altos, como o casamento do Dex, nascimento de seu filho e alguns conflitos psicológicos, não conseguem dar aquela mesma sensação de ter que assistir o próximo episódio porque não vai conseguir dormir sem saber o que acontecerá. Algumas coisas começam a se repetir e assim vai terminando os episódios seguintes.

"Todos temos algo a esconder,
uma parte sombria que não 
mostramos ao mundo.
Fingimos que está tudo bem.”

Em uma boa tentativa de reaquecer a série, na quarta temporada entra um novo personagem que a princípio parece dar uma virada total nas coisas. Trinity, um serial killer que age a 30 anos pelo país. O que parece ser um personagem muito bom, quase um Dexter só que bem mais velho, mais experiente e que consegue criar aparências sociais muito melhor que ele é na verdade uma criatura fraca e cheia de medos. Depois de perceber isso você só fica esperando que ele "vá logo para a mesa" de um profissional, no caso, o Dex. A quinta temporada começa com uma boa premissa, mas logo volta na velha repetição dos casos anteriores e as novidades (nem tão novas assim) que são adicionadas não são suficientes para te manter empolgado, ou seja, só assiste porque é a última. O final dela fica aberto, abrindo possibilidades para uma nova aventura.

No geral, Dexter é uma série boa e eu a recomendaria para qualquer amigo, então vale a pena assistir sim, mas devido esse apagamento no final eu já avisaria com antecedência o que os espera. Se tivesse conseguido seguir a linha das duas primeiras temporadas, com certeza seria um seriado mais que excelente. Eu li que a primeira temporada seguiu bastante a história do primeiro livro e que mais pra frente os dois seguiram caminhos diferentes, essa pode ser uma possível explicação para o que aconteceu no seriado (e os livros devem continuar bons... infelizmente não li ainda).

Avaliando o conjunto total da série a nota final é 8, pois os pontos altos, mesmo nas partes mais fracas, são bem bacanas e também pela qualidade das duas primeiras temporadas. Se fosse avaliar somente essas, a nota seria em torno de 9,5.



3 comentários:

  1. Opa, Sr. Mamute, valeu pela dica. Estou a cada dia mais aficionado por tramas policiais; seja na literatura com, Dashiell Hammett e Rubem Fonseca (alguns podem torcer o nariz por eu colocar esses nome um do lado do outro); seja nos quadrinhos, com 100 Balas, Sin City, Criminal, etc (são tantas que nem vou começar); ou na telinha, com séries como CSI. Agora você me vem com mais essa, daí fica difícil pensar em outro assunto, hahahahahahaha.
    Muito Obrigado pela indicação, vou tentar conferir!

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  2. Dexter na minha opinião é um killer encantador.
    Por uma série de motivos que são bem detalhados principalmente nos livros, dos quais já tive a oportunidade de ler!!!! Bela resenha, justa e concisa.

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